Carhartt: O know-how americano ao serviço do trabalhador

A Carhartt soube impor-se ao longo dos anos como uma referência do workwear com as suas gamas de macacões "overall", jeans, fatos de trabalho, casacos "Chore coat" e muitas outras peças emblemáticas. A marca adquiriu uma reputação inabalável de vestuário resistente, durável, capaz de enfrentar o fogo, o frio, a água e as piores condições. O "Carhartt Brown" de tom ocre e o azul operário são cores sinónimas do espírito do fabricante. Este reconhecimento internacional deve as suas origens a uma ética que só tem igual na sua exigência na confeção de produtos de qualidade para o trabalhador.

  

Sumário:

  

A colocação nos trilhos

  

É aos 29 anos que o jovem Hamilton Carhartt funda em 1882 a sua primeira loja de móveis. No entanto, quando conhece um engenheiro ferroviário, dedica-se à tarefa de criar uma peça de vestuário que faça justiça ao trabalho daqueles que constroem as vias férreas durante a revolução industrial. Querendo oferecer aos operários roupas confortáveis e de qualidade, elabora macacões e vestuário de trabalho em "cotton duck", um tecido muito resistente tecido em armadura de tela apertada. 1889: A Carhartt que conhecemos nasce na cidade de Detroit.

Não só procura vestir corretamente os operários ferroviários com roupas à prova dos seus trabalhos, mas Hamilton tem também a peito colocar os seus interesses do lado dos trabalhadores. "O meu negócio seria um fracasso sem os meus funcionários." É um dos pioneiros que defende o trabalho sindicalizado e apõe orgulhosamente as etiquetas "union label", "Crafted with pride in USA", ou "Union-made in USA" no seu vestuário concebido em território americano. Um trabalho artesanal de excelente fatura cujo um dos primeiros slogans é "Honest value for an honest dollar". Os primeiros logotipos da marca refletem inteiramente este espírito, com uma carruagem de comboio colocada num coração, o "Car in heart" que resume toda a ambição do seu fundador.

  

  

Expansão e depressão

  

No início do século XX, a sociedade estende-se por todo o país com a abertura de fábricas na Carolina do Sul, na Geórgia, em Atlanta, Dallas ou São Francisco. Ela chega ao Canadá (Walkerville onde fabrica luvas, Ontario, Vancouver, Montreal). Depois, atravessa mesmo o Atlântico para abrir em Liverpool em Inglaterra. Durante a primeira guerra mundial, a empresa não hesita em colocar à disposição as suas fábricas para o exército americano a fim de confecionar uniformes e vestir os trabalhadores enviados para a frente. A expansão prossegue após a guerra com uma fábrica pela primeira vez em Paris. A marca vai também mais uma vez falar com o coração com a Carhartt Junior que tem por vocação vestir os jovens órfãos do conflito.

Os anos 20 com a "cotton depression" (um aumento drástico do custo do algodão), a grande depressão dos anos 30, bem como o fracasso de um primeiro lançamento no sportwear obrigam a empresa a retrair-se. Ela fecha numerosos locais, e reconcentra-se no território natal da marca. Após a morte de Hamilton em 1937 num acidente de automóvel, o filho Wylie assume as rédeas da sociedade que nunca sairão da família Carhartt.

   

Uma imagem inabalável

  

Apesar dos desafios económicos, a notoriedade do nome Carhartt e a qualidade dos seus produtos 100% em cotton duck ajudam-na a recuperar após a segunda guerra mundial. A marca cria as suas primeiras peças forradas com a contribuição da empresa Troy Mills (vendedor histórico de mantas para cavalos em meados do século XIX).

Nos anos 50 e 60, a posição da Carhartt reafirma-se com a compra de territórios perdidos nos anos 30 e a aquisição de empresas de workwear reputadas (Crown Headlight no Ohio, Fink & Co. no Michigan). O fato forrado de 1968 torna-se uma ferramenta indispensável de trabalho. A expansão continua nos anos seguintes. Em 1982, a empresa lança a sua primeira campanha de marketing à escala nacional, bem como a sua gama Arctic Wear. A Carhartt além do seu vestuário tradicional, propõe toda uma panóplia de vestuário contra o frio.

  

  

Um estilo para além das fronteiras do workwear

  

O workwear infiltra-se pouco a pouco nas tendências no final dos anos 80 e início dos anos 90. A Carhartt WIP (Work In Progress) é criada. Esta marca inspira-se no vestuário de trabalho e readapta-o a um uso mais casual. O streetwear vai apropriar-se dele para ser usado por grafiteiros, rappers, cantores de Hip-Hop e adeptos de desportos radicais urbanos. Uma demarcação opera-se na marca que vai reservar o seu workwear ao país americano e o vestuário do quotidiano ao resto do mundo. Por um lado, a linha Extreme permitirá enfrentar as condições mais duras. Por outro, uma colaboração com a Vans vai invadir o mundo do skateboard.

  

  

Hoje, a Carhartt mantém esta imagem de marca de vestuário de trabalho resistente e à prova de tudo. Desde 2006, a Carhart EMEA (Europa, Médio Oriente, África) reabre o workwear ao internacional. Oferece sempre uma grande gama de vestuário (partes de cima e partes de baixo) e calçado de qualidade excecional. A marca mantém-se igualmente orgulhosa da sua herança e da sua ética participando por exemplo no projeto de reconstrução da sua cidade natal de Detroit. Em 2015, reabre aí uma das suas lojas históricas. Para roupas que aliam conforto, uma durabilidade extrema e um estilo inimitável, Carhartt continua definitivamente uma referência do trabalhador moderno.

Créditos das fotos: www.carhartt.com

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