Circuitos curtos: Quais são os desafios do comércio local?

  

Os agricultores de hoje devem enfrentar exigências de crescimento e de consumo cada vez mais vastas. A produção de qualidade em quantidade torna-se mais difícil de rentabilizar eficazmente. O circuito curto pode então revelar-se uma proposta de distribuição que permite colmatar o déficit das trocas comerciais mais clássicas. Este modo de comercialização alternativo limita os intermediários entre o agricultor e o consumidor para um serviço mais direto e portanto mais favorável aos produtores de matérias-primas agrícolas. Como se definem estes circuitos curtos?

  

Sumário :

    

Um conceito com numerosas vantagens

  

Tendo em conta a sua definição, o circuito curto apela a uma certa proximidade geográfica ou ainda relacional entre o produtor e o consumidor. Isto, mesmo se não há critérios específicos relativos à distância para um circuito ser qualificado de curto. É então possível classificar segundo vários critérios. O primeiro é o do número de intervenientes entre o produtor e o consumidor

O segundo fator separa venda direta ou indireta. O agricultor que procede à venda direta beneficia de uma atividade em total independência com uma fixação de preços mais equitativa quanto ao seu trabalho. Deve então acumular os papéis de produtor e comerciante dos seus produtos. As diversas práticas de circuito curto oferecem aos consumidores um fator de autenticidade cada vez mais procurado nos nossos dias, além de fazer beneficiar de um contacto direto para elogiar a qualidade dos produtos.

  

  

A venda direta

  

Entre as diferentes facetas das trocas comerciais em circuito curto, a venda direta divide-se ela própria de várias formas. Pode citar-se as vendas na quinta ou a loja na quinta com as quais os produtores podem vender os seus produtos diretamente no seu local de fabrico. Pode assim encontrar-se talho, queijaria ou ainda padaria na própria exploração. É também possível encontrar locais de colheita seja em self-service, seja em colheita livre. Em self-service, o consumidor colhe a colheita e paga a quantidade recolhida. Em colheita livre, procede à compra antecipada de uma produção e vem colher o que deseja. Pode tratar-se por exemplo da compra de uma árvore de fruto. Em certas quintas, os produtores orientam os seus produtos para a restauração para os produtos agrícolas, em vez de para a venda de matérias-primas. Isto toma a forma de refeições tomadas no local. Por fim, de forma mais efémera, certos eventos organizados permitem destacar os produtos durante manifestações em certos períodos.

Sempre em venda direta, mas fora da quinta, os mercados reúnem todo o tipo de revendedores de produtos variados. Para certos artigos sazonais, existe também a venda na berma da estrada que necessita ainda assim de uma autorização da câmara municipal para poder ser instalada. Fora dos mercados, existem as vendas de feiras ou de salões, ou ainda os pontos de vendas coletivos. Uma última proposta de distribuição é a venda por correspondência para a entrega ao domicílio ou então em pontos de recolha das encomendas de carne, cabazes de legumes, produtos lácteos e outros.

   

A venda por intermediário

  

Se não procede à venda direta, o produtor pode recorrer a um único intermediário mantendo-se ainda num circuito curto. Pode por exemplo efetuar as suas vendas através de outro produtor. Pode também propor uma venda em loja. Podem ser lojas biológicas, de produtos locais, de proximidade (mercearias, padarias, talhos e outras). A grande distribuição aceita também cada vez mais produtos locais e equitativos.

Existe também a venda a coletividades (estabelecimentos de ensino, cantinas de empresas, hospitais), diretamente a restaurantes, ou através de cooperativas de produtores. A democratização das plataformas na internet gera também um espaço de escolha para a venda de produtos agrícolas.

  

  

As diversas facetas da produção e da venda em circuito curto permitem assim aos agricultores de hoje desenvolver eficazmente as suas explorações com uma mais-valia de autenticidade de proximidade cada vez mais procurada pelos consumidores oferecendo ao mesmo tempo um retorno mais equitativo sobre os custos de produção. O circuito curto impõe-se como um ator indispensável da agricultura moderna.

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