Krav-Maga significa "combate corpo a corpo". No entanto, não é nem um desporto, nem uma arte marcial. É um método de autodefesa baseado nos reflexos naturais e adaptado para poder responder a uma ameaça ou uma agressão quer seja um civil ou um profissional da segurança.

  

Sumário:

  

A sua história é fruto do trabalho de uma pessoa IMI LICHTENFELD. Nascido em Bratislava (na antiga Checoslováquia) este lutador, boxeur e ginasta pôs o seu saber ao serviço da comunidade judaica durante o período em que esta se devia proteger do fascismo crescente na Europa. Depois de múltiplas rixas, apercebeu-se de que a rua e a competição não tinham nada em comum. É neste momento que decide adaptar a sua prática. O Krav-Maga nasceu.

Obrigado a exilar-se, dirige-se a Israel onde integra o exército. É neste período que vai aperfeiçoar as suas técnicas para a polícia, as forças especiais e claro o exército. Durante muitos anos, vai analisar a sua abordagem e a sua prática para fazer com que crie um sistema eficaz, rápido e simples que responderá às problemáticas diversas encontradas no terreno.

Para o Sr. LICHTENFELD, o Krav-Maga é, antes de tudo, fundado em valores morais e humanos, que sublinham a importância da integridade, da humildade e do respeito pelo próximo.

 

O mais interessante neste sistema de autodefesa é que os princípios inculcados não fazem o praticante, é o praticante que vai levar o seu Krav-Maga onde ele o desejar. Com efeito, mesmo que o Krav-Maga não comporte regras no sentido estrito do termo, há certos princípios a compreender e a pôr em obra:

 

- não sair ferido do combate (análise do fator risco/perigo para evitar ferimentos)

- as técnicas são baseadas nos reflexos naturais do corpo humano (devem ser retocadas, dirigidas para responder eficazmente aos problemas)

- a defesa deve ser proporcional ao ataque (segundo a situação e a necessidade, é preciso agir dominando a reação e a força para evitar um ferimento exagerado do adversário)

- defender-se e atacar pelo caminho mais curto (por um caminho dado e tendo em conta conforto e segurança)

- o uso dos pontos sensíveis do corpo humano (a fim de poder tocar e vencer o adversário)

- o uso de todas as armas do corpo humano (incluindo o uso de objetos comuns para se defender e contra-atacar)

- nem regras, nem limites (exceto a legislação em vigor no país)

 

Cada praticante vai fazer evoluir o seu Krav-Maga com as suas próprias competências e qualidades.

 

Graças a estes princípios, o Krav-Maga adapta-se, evolui, atualiza-se ao sabor das diferentes ameaças que nos chegam. O seu ponto forte, se só devêssemos reter um, é que o praticante não se apoia numa maneira fechada de pôr em prática técnicas mas na maneira de as apreender.

 

Prioridades do Krav-Maga

 

O Krav-Maga deve poder ser aprendido rapidamente a partir de processos simples.

 

Com efeito, tal como o close combat, o Krav-maga caracteriza-se por diferentes técnicas incapacitantes ou letais. Estes métodos são muito fáceis de aprender e muito eficazes. Visam pôr fora de combate um inimigo:

  • o mais rapidamente possível
  • o mais eficazmente possível
  • por todos os meios possíveis (nenhum limite de combate)

As técnicas de combate com as mãos vazias empregadas são tipicamente as mais perigosas, as mais poderosas, e as mais simples que o corpo humano possa gerar. São escolhidas e adaptadas para funcionar em condições de stress máximo e contra alguém que não se deixará fazer. Num combate para assegurar a sua sobrevivência (portanto de tipo não desportivo), o único objetivo é eliminar a ameaça antes que esta o elimine.

Os golpes são portanto focalizados em alvos anatómicos:

  • olhos
  • nuca
  • joelhos
  • garganta
  • partes genitais

 

O combatente procura sistematicamente tomar a iniciativa do assalto, depois esmagar o inimigo sem piedade (no quadro da lei em vigor). A defesa é portanto sempre um último recurso (recuperação da iniciativa) visando restabelecer a ação ofensiva. O deslocamento é sempre avançando (forward drive).

 

Numa situação dada, a resposta deve ser:

  • imediata
  • tão forte quanto necessário
  • sem apelo
  • natural
  • escolhida para servir um objetivo preciso, como desconcentrar, fugir, imobilizar no solo, neutralizar ou afastar-se de alguém

 
Resulta em 3 conjuntos de técnicas consoante o ensino seja destinado ao exército, à polícia ou aos civis, não sendo os objetivos os mesmos consoante estas categorias (atacar, neutralizar, ou defender-se).

 

Treino de Krav-Maga

 

O Krav-Maga não pressupõe que os combatentes respeitem um conjunto de regras. Em particular, o treino insiste em situações atípicas tais como:

  • reagir a um ataque surpresa,
  • combater com as mãos vazias contra um adversário armado com uma arma cortante (uma faca por exemplo) eventualmente dissimulada, com uma arma contundente (um taco de basebol por exemplo) ou com uma arma de fogo,
  • impedir o adversário de sacar uma arma ou de se servir dela,
  • combater contra vários adversários, sair de uma situação de cerco, proteger uma terceira pessoa.

 

O treino de Krav-Maga também abrange situações suscetíveis de degenerar em combate com métodos tanto verbais como físicos.

 

As qualidades desenvolvidas durante o treino são: a melhoria dos reflexos, a fluidez, a rapidez, a precisão, a utilização correta das armas naturais do corpo, a determinação, o domínio de si, e respostas adaptadas às situações de agressão.
 

                                                                                                                      KIDA*

 

 

 

 * Saudação no Krav-Maga

 

Artigo escrito por o clube Krav Maga Aurillac 15 na pessoa de Sébastien Carlat

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